O comando dos Bombeiros Voluntários de Viseu lamentou ontem a saída do vice-presidente para a área financeira da direcção da Associação. Botelho Pinto pediu demissão do cargo que ocupava há cerca de 10 dias. Uma "má notícia", considera a corporação em comunicado assinado pelo comandante Horácio Alves que afirma não ter conhecimento das razões que levaram o ex-dirigente a tomar esta atitude.Segundo o comandante, a saída de Botelho Pinto representa uma "perda" para a corporação. "É uma mais valia que perdemos", frisa, lembrando que se tratava de um elemento "de ligação" entre o comando e a direcção da Associação.Horácio Alves destaque ainda que o agora ex-dirigente foi uma das pessoa que "tão bem se entranhou dentro da nossa instituição", sendo a "ponte" entre os Bombeiros e as instituições da cidade, nomeadamente a autarquia e o Governo Civil."Nunca o relacionamento entre instituições foi tão próximo e saudável", pode-se ler no comunicado, no qual o comando atribui também a Botelho Pinto o "esforço" na concretização de "velhos anseios", como a construção do novo quartel ou ainda a solução encontrada para a antiga sede e que agora está sobre a alçada da autarquia viseense, após protocolo com a Associação."Ao longo destes últimos dois anos, o sr. Botelho Pinto demonstrou total capacidade e soube lidar com os problemas financeiros, administrativos e interpessoais", sublinha o comando, que espera voltar a ver o ex-dirigente "regressar à instituição".Botelho Pinto e direcção não comentamO presidente da direcção da Associação Humanitária, Paulo Correia, optou por não comentar o pedido de demissão. Adiantou apenas esperar que a saída de Botelho Pinto venha colocar "paz de uma vez por todas" na instituição.Pela primeira vez à frente da direcção, Paulo Correia admite que se tem vivido um clima de "desconforto" na instituição, mas a cerca de um ano de terminar o seu mandato, recorda que se tem dedicado a ela, cumprindo com os objectivos a que se prupos. Sobre o pedido de demissão, Botelho Pinto optou por não prestar qualquer comentário.InstabilidadeO sentimento de "desconforto" entre direcção e comando já é longo nos Bombeiros de Viseu. O mau relacionamento vem desde que a nova direcção tomou posse, há dois anos. Há quem defenda que o "clima de instabilidade" foi criado com as eleições dos corpos sociais da instituição.Mais recentemente, há quem admita que a demissão de Botelho Pinto possa estar relacionada com uma situação que já se arrasta desde 2008 e que tem a ver com a promoção de um bombeiro a segundo-comandante.Em 2008, o comandante propôs a nomeação de um bombeiros para segundo-comandate, proposta que na altura foi chumbada pela direcção, uma situação que levou o bombeiro em causa a avançar com um processo em Tribunal, cuja conclusão deverá estar para breve.A proposta voltou na semana passada a estar em cima da mesa e o facto de ter sido, novamente, chumbada pela direcção, poderá ter ditado a saída de Botelho Pinto.
(DV)
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